As instruções de um livro mudo

Robert Fludd, Utriusque cosmi maioris scilicet et minoris historia, tomus II (1619), tractatus I, sectio I, liber X, De triplici animae in corpore visione.

Jung mostra o quanto os estudos de Paracelso já rumavam para as relações entre o microcosmo (homem) e macrocosmo (universo). Essa necessária convergência entre matéria e espírito, visada desde a antiguidade, mas esquecida quando a divisão da racionalidade leva os homens a mediocridade.

Estevan de Negreiros Ketzer

Psicólogo Clínico (PUCRS). Doutor em Letras (PUCRS). Pós-doutorando pelo Labô – Laboratório de Política, Comportamento e Mídia / Fundação São Paulo/PUCSP.

O que é que o homem descobre por si ou através de si mesmo? Nem um paninho suficiente para fazer calças.

Paracelso

O que está embaixo é como o que está em cima. O que está em cima é como o que está embaixo para realizar os milagres de uma coisa só.

Tabula smaragdina

Introdução

Então as duas ranhuras abrem diante ao lento lume por detrás do alpendre. Mas há coisas a fazer com o canto das aves matutinas. Elas guiam o corpo a um movimento simples, pelas páginas de um livro sem palavras. Imagens sobrepostas, campos de significação incompletos, ranhuras no enlevo de se colarem novamente. Quando desmontamos como um jogo de palavras a ordem secreta das coisas, nossos movimentos dizem mais do que as palavras sobre o aparato cognoscente.

Como aprendemos a ler imagens? Não basta apenas ver formas e atribuir sentido. Há algo nas imagens que ousa comunicar a história antes da vinda do alfabeto. Mutus liber (1995) é o livro alquímico mais importante, pois, é nele cujo tempo passa ao cruzamento de sua circunstância: dar ao homem moderno e sua irrefreável ânsia pela razão um descanso para sentir a si mesmo novamente. A cada imagem uma tentativa de experimento alquímico, cuja conexão se eleva na ideia de uma emoção genuína ser desperta como uma forma de compensação pela vida soterrada. A alquimia possui um método para Paracelso, consagrando na ideia de separação e união de todos os elementos em busca de seu desenvolvimento. O Mercúrio filosófico como o elemento da mudança, transformação dos elementos que se mostram assim a partir do Sal (unidade) e de sua solvência com o Enxofre (combustão), conforme o trabalho de Philippus Aureolus Bombast Von Hohenheim, conhecido como Paracelso (1983).

Aqui a análise do poético não se restringirá ao fazer da poesia propriamente dita, mas minha proposta é examinar a ocorrência da poética diante da modernidade e das diferenças que são reconhecidas sobre a subjetividade, uma vez escrita e editada, não se deve esquecer o valor do pensamento, do fazer pensar sobre o registro fônico e de sensibilidade encontrado na prosa poética de Rimbaud Uma temporada no inferno, de 1873. A relação de Rimbaud com a alquimia é por demais estreita. Portanto, o livro de Paracelso A Chave da Alquimia (Opera Omnia) também será pensado na possibilidade de que a alquimia problematize outra interpretação do sentido poético encontrado em Rimbaud.

  1. Alquimia e poesia: vertentes da imagética

    Não teriam os filósofos e os médicos feito a mesma coisa com objetivos diferentes? Resta perguntar se os poetas não poderiam tentar também encontrar aquilo que os proporcionaria mexerem com as palavras no nível da transformação, da verdadeira transformação que só diz respeito a cada um. Dar vida ao símbolo, sua linguagem primeira destituída de um representante formal e unívoco. Para Jung (1985, p. 59) “verdadeiros e autênticos símbolos, isto é, tentativas de expressar alguma coisa para a qual ainda não existe conceito verbal.” Nessa linguagem de difícil acesso deve residir a verdadeira apreensão de algo extraordinário que não pode ser banalizado a risco da perda de importância simbólica. Jung (2012) estuda alquimia para considerar não somente seu descontentamento com o saber moderno, mas para que este o ajuda a saber algo do humano em permanente mistério. Na alquimia as imagens representam muito mais do que explicações, elas são o processo de transformação.

    A ascensão é frequentemente representada por uma escada; daí, a oferenda funerária egípcia de uma pequena escada para o ka dos mortos. A ideia de ascensão através dos sete círculos planetários significa o regresso da alma à divindade solar, seu lugar de origem, tal como nos ensina Firmicus Maternus. O mistério de Ísis descrito por Apuleius culmina naquilo que a alquimia do começo da Idade Média (remontando diretamente à cultura alexandrina como nos foi transmitida pela tradição árabe) designa como “solificatio” (solarização): o iniciado é então coroado como Helios (JUNG, 2012, p. 67).

    Para a linguagem da alquimia os rituais, as formas na qual utilizamos gestos e intenções, são de extrema importância. Enquanto pensamentos em palavras para definir objetos que podem ser alcançados racionalmente, as imagens nos possibilitam uma narrativa implícita, evocativa, sem a mesma medida de precisão que a palavra. Para Paracelso (1983), a alquimia é justamente o método que nos ajuda a recuperar a divindade das coisas quando elas se perdem por algum motivo de perto de nós. Essa ação de recuperação de algo perdido é parte da espargiria alquímica, contração e soltura, a qual une os opostos, tal como sentimentos diante à pulsação cardíaca. Aquilo que entendemos como o mau, de maneira moralista, é tão somente o que é diferente à sua própria natureza. Nesse aspecto Paracelso nos traz para suas considerações pré-científicas, com a outorga de Deus de que cada coisa seja tenha dentro de si o próprio alquimista, isso é, traga também as regras de sua própria cura: “cada animal tem um alimento especial preestabelecido e um alquimista próprio que o prepara” (PARACELSO, 1983, p. 80).

    A escada de Jacó (Gênesis 28:10-19) (BÍBLIA, 2024) é assim o arquétipo da ascensão. Ele nos divide entre vivos e mortos diante ao sonho de Jacó, ao mesmo tempo, relata ali estar Deus vivo a eliciar mensagens, cujo portador é ele mesmo em pessoa. Esse procedimento de regeneração da vida é sagrado. A aliança (brit) estabelecida com Jacó também o levará a ser um dos preferidos de Deus, escolhido para ser o pai das 12 tribos de Israel. Aqui o número 12 não é menos importante, pois ele fala de um ciclo anual, um ciclo astrológico, o zodíaco, algo da descendência do jardim do Éden que sempre paira nos seres humanos e foi muito desenvolvida pela Cabala judaica (JUNG, 2026). Portanto, o mistério que exige de nós um profundo respeito e também um interesse genuíno por seu “misterioso” procedimento até nós.

    Ao final do século XIX enxergamos a geração francesa de poetas muito determinados a busca dos mistérios da vida na Terra. A manutenção do mistério já é algo sagrado, mas perscrutar sobre ele exige curiosidade. Essa é a figura do alquimista Como psiquiatra e, portanto, como médico, ele olha para e enfermidade com os olhos de dúvida: não saber algo é um importante começo. A poesia é também um sentir como crê Rimbaud, pois não saber é parte da alma universal de seu tempo. Ele assim expressa em sua carta a Paul Demeny.

    A arte eterna terá suas funções, já que os poetas serão cidadãos. A Poesia não marcará mais o ritmo da ação; ela estará na frente. Esses poetas virão! Quando for quebrada a servidão infinita da mulher, quando ela viver por si mesma, quando o homem – até então abominável – lhe tiver dado sua alforria, também ela será poeta! (RIMBAUD, 2009, p. 40).

     E na força da mulher reside justamente o oposto do homem trazido à tona. Utopia de que a poesia seja algo muito diverso na sua simplicidade. Gaston Bachelard (2009) ao analisar os desenhos de alquimistas medievais, o Rosarium Philosophorum, nota que os opostos vivem no mesmo psiquismo. O frasco de vidro, este uma invenção moderna, possui o ideal da união entre o Rei e a Rainha, devaneio máximo que às “origens obscuras da vida” (2009, p. 75). Essa força poética das imagens, algo que extrapola a mera acumulação do conhecimento em verdadeiro ou falso. Para um alquimista o conhecimento está muito além disso. É conhecer etapas psicológicas muito arcaicas, vestígios de impurezas que o enxofre não dissolveu completamente.

    E Rimbaud só incide em histórias de loucura, pois observa que seu eu lírico já ousara ter coisas de que pudesse se orgulhar da beleza. Em um claro diálogo com os poemas de Baudelaire, o poeta observa que esses valores são efêmeros demais para saciarem os sentidos. A alquimia do verbo é inventiva, só ela resolve os problemas de uma linguagem para bons moços: “Foi primeiro um experimento. Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens” (RIMBAUD, 2008, p. 65). Se acentua o caráter de uma arte que o poeta não sabe qual direção tomar. Me parece essa a insatisfação primeira de toda a postura do bom poetar: saber na sensibilidade dos sentidos.

    2. Rimbaud e Paracelso: a medicina da palavra mágica

    A velharia poética tinha boa parte na minha alquimia do verbo. (…) Em seguida, explicava meus sofismas mágicos com a alucinação das palavras! Acabei por considerar sagrada a desordem de meu espírito (RIMBAUD, 2008, p. 69).

    Mesmo que o desejo não se faça frente ao mundo material, este fica à espera de que a próxima forma não esteja restrita a explicações fáceis, concretas na exatidão torpe de palavras simples, utilizadas para apenas enunciar as coisas na sua obviedade. Esse desinteresse pela dimensão de adentramento da palavra conduz poetas e cientistas a criação. O alquimista surge como esse lugar que nos avisa de uma mudança profunda entre nosso passado imemorial e nosso futuro desconhecido. É sobre nossas ações que estão galgadas as instruções desse livro sem som.

    Assim é o trabalho do poeta com as palavras, assim é “(…) o alquimista, tão logo termina uma destilação, recomeça-a misturando de novo o elixir e na matéria morta, o puro e o impuro, para que o elixir aprenda, por assim dizer, a libertar-se de sua terra” (BACHELARD, 2008, p. 73). Um poeta, nessa acepção, não é um homem inspirado, gênio como a velha crítica costumava dizer, mas sim demiurgo do inacabado, esforço de oleiro sobre a argila. Muito esforço e uma percepção objetiva são os elementos alquímicos elementares. “O amor é a primeira hipótese científica para a reprodução objetiva do fogo.”, nos diz Bachelard (1999, p.37) sobre algo indispensável ao poeta e ao alquimista e que na figura da sexualidade eleva o pensamento aos seus mais altos estertores da fricção, os fogos a nascerem do contato.

    A poética se reclina sobre elementos repletos de símbolos, mesmo que muitos só sejam traduzidos por nós no futuro vindouro. Não por nada amor e fogo são elementos despertados de uma misteriosa combustão. Eles já dão mostras de um desenvolvimento em relação ao outro, outro da palavra incandescente, outro que olha no horizonte descontínuo de algo muito maior do que si e desperta no segredo fundamental: “Porque Eu é um outro” (RIMBAUD, 2009, p. 38). A célebre frase de Rimbaud indica algo a mais da composição implicada nesse exercício de pensamento. Essa é uma forma de observar a alteridade na percepção, pura e simples, a colocar os sentidos de lado diante ao que começamos a imaginar.

    Por isso o romantismo não foi bem entendido segundo Rimbaud. O amor por si só é superficial, mas esse estranhamento inicial, princípio máximo de toda a mímesis, é o ponto forte dos poemas. “Para mim é evidente: assisto à eclosão de meu pensamento: eu a contemplo, eu a escuto. Tiro uma nota ao violino: a sinfonia agita-se nas profundezas, ou ganha de um salto a cena” (RIMBAUD, 2009, p. 38). A arte traz sempre algo a mais, o Outro do discurso, o inconsciente aí também reside e dele se pode criar o que parece não ter explicação. Esse Eu de Rimbaud já sabe ser o Eu do passado, o mesmo Eu do Estado, concepção de que algo ficou no lugar para dar conta da identidade. O poeta verifica um Eu que é transformação incessante quando desperto para essa força inconsciente.

    O pensamento de Paracelso olha para os astros com fim a alertar os homens sobre tais pretensões. Era importante alertar as pessoas de que os movimentos dos astros não mudam a vida das pessoas (PARACELSO, 1983), mas suas atitudes frente ao que investigam em suas próprias naturezas é, de fato, o diferencial. Sua idéia de ciência parte para uma consideração altamente materialista por um lado e altamente espiritual por outro: “(…) todos e cada um de nós levamos nossa própria razão de ser em nós mesmos” (PARACELSO, 1983, p. 56). Em seu método de analogia do microcosmo com o mundo é que o homem pode compreender seu ser. O médico suíço enxerga o horizonte de transformação do homem, todas as esferas que seu corpo lhe pode proporcionar. Ele ruma para os fármacos e revolve em nomes astrológicos as possibilidades da cura. Aos astros estão os conhecimentos de todos os compostos. “O médico é como o fabricante de vidros. Ainda que tenha diante de si um doente e diversos medicamentos à disposição falta-lhe a ciência e o conhecimento das causas” (PARACELSO, 1983, p.162). O médico não segue só seus instintos, assim como a poeta não segue sua sensibilidade sem um estudo aprofundado das essências das coisas – ou entidades como preferia Paracelso. “Através do exterior ele vê o interior.” (PARACELSO, citado por JUNG, 1985, p. 18). Haveria maior poética que imaginar o quanto o exterior mostra o interior do homem? “Assim estamos no mesmo céu que se estende diante de nossos olhos, mas atrás dos olhos, por isso não o podemos ver” (JUNG, 1985, p. 18). Talvez na voz de Jung esteja a última grande compreensão dos mistérios sagrados que configuraram as alternativas à ciência contemporânea propriamente dita.

    Esses movimentos que a alquimia começa a unir entre a cabala hebraica, a filosofia grega e a química árabe podem ser associados e trazer novamente a pergunta sobre o que o saber pode proporcionar ao homem, se pode transformá-lo e enriquecê-lo com algo surpreendente e que outrora não era conhecido. “Na prática, isto significa que a filosofia se acha, de certa forma, oculta dentro da matéria, podendo por isso também lá ser encontrada” (JUNG, 1985, p. 19). E a filosofia então passa a ser algo que está tanto dentro quanto fora, tanto no mundo dos quatro elementos quanto no mundo dos astros. Cabe a filosofia mostrar a origem da matéria inferior, encontrada no homem, aquele que desbrava o interior das matérias, revela o segredo, passa a aprender algo cifrado por Deus, porém, algo deixado em um livro curioso chamado por nós de natureza. Essa forma de filosofia natural, com relevos místicos, acaba possuindo propriedades entendidas por nós como mágicas, pois estabelece uma ligação entre os elementos da matéria e os elementos astrais, visível e invisível.

    Mas o homem não deve esquecer que é o objeto que projeta para ele seu sentido, demonstrando sua essência. E o que o homem pode compreender disso é o seu próprio Archasius[1]. Logo, a compreensão de Paracelso aqui se coloca muito próxima da fenomenologia mais recente. Não será esta a mesma proposta de Bachelard (2009) em seu A Poética do Devaneio, ao elevar o método fenomenológico a entrar em contato com a consciência do próprio poeta? “A descrição dos psicólogos pode, sem dúvida, fornecer documentos, mas o fenomenólogo deve intervir para colocar esses documentos no eixo da intencionalidade” (BACHELARD, 2009, p. 4). Essa consciência de criatividade não está solta e os esforços para que o devaneio seja poético não podem restringir o homem a seus achados meramente psíquicos. Daí a imaginação ser para o futuro, para o que ainda não se conhece e que o anterior, mesmo com a restituição de seu sentido, não é capaz de dar conta. O sonho não deveria ser encarado como o recalque do diurno, mas como a liberdade crescente do enigma que traz à memória a vivacidade de um instante vivo.

    Conclusão

    A voz de Jung ressoa nas tentativas de Paracelso em mostrar uma nova forma para a medicina. Uma atividade médica que conversa diretamente com a medicina hipocrática, mas também com a farmacologia. Um limite ainda hoje inaudito por nossa sociedade altamente especializada e treinada para fins técnicos. E o ser humano no meio disso tudo? Seria ele tão técnico em seu trabalho que não pudesse fazer como Leonardo Da Vinci (VALÉRY, 2006) e pintar sua própria ciência?

    A tentativa de pensar essa problemática inaudita quando as expressões utópicas de fins do século XIX surgem à tona em um forte movimento simbolista. Diante do que antes era tão certo, a arte traz algo a ser estranhado, a habitas com dúvidas quaisquer respostas apressadas. A meditação segue-se como jejum e oração como parte desse método intrincado dos alquimistas. O mundo dos alquimistas não cessa em nascer. Ele provoca o saber a ter em uma estética da criação que se lance ao devaneio infantil da descoberta do mundo, o qual também é parte do conhecimento científico.

    A concepção de Jung (1985) do trabalho de Paracelso traz certamente uma luz para as investigações desse autor diante da medicina e não devem ser desprezadas quando olhadas à luz da estética da criação poética. Jung (2012) mostra o quanto os estudos de Paracelso (1983) já rumavam para as relações entre o microcosmo (homem) e macrocosmo (universo). Essa necessária convergência entre matéria e espírito, visada desde a antiguidade, mas esquecida quando a divisão da racionalidade leva os homens a mediocridade. A cura e a doença estão muito mais intrincadas do que percebemos pelos sentidos. Não menos importante é a valorização das capacidades da percepção pelo empirismo inglês na consolidação do método científico[2].

    Jung, Rimbaud e Bachelard entrelaçam o conhecimento e a poética, sendo os desafios de suas manifestações muito próximos de uma concepção de conhecimento complexo. O que é de fato o complexo? Ele ainda não é, mas pode ser: se o pensamento observar com os afetos e se os afetos captarem a tenacidade dos pensamentos.

    Referências:

    BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

    BACHELARD, Gaston. A Psicanálise do Fogo. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

    BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

    BÍBLIA de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2024.

    JUNG, Carl Gustav. O Espírito na Arte e na Ciência. In: C. G. Jung Obra Completa. Petrópolis: Vozes, 1985, Vol. 15.

    JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Alquimia. In: C. G. Jung Obra Completa. Petrópolis: Vozes, 2012, Vol. 15.

    JUNG, Carl Gustav. Carta de Jung sobre o desenvolvimento da Cabala. Revista do Instituto Ágora Perene, Rio de Janeiro, 6 abr. 2025. Disponível em: https://revista.agorap.org/psicologia/carta-jung-cabala. Acesso: 05 mai. 2026.

    MALLARMÉ, Stéphane. Sinfonia Literária. Em: BAUDELAIRE, Charles. Poesia e Prosa: volume único. Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1995.

    MUTUS LIBER: o livro mudo da alquimia. São Paulo: Attar, 1995.

    PARACELSO. A Chave da Alquimia. São Paulo: Editora Três, 1983.

    RIMBAUD, Arthur. Uma Temporada no Inferno. Porto Alegre: L&PM, 2008.

    RIMBAUD, Arthur. Correspondência. Rio de Janeiro: Topbooks, 2009.

    VALÉRY, Paul. Introdução ao Método de Leonardo Da Vinci. Tradução de Geraldo Gérson de Souza. São Paulo: Editora 34, 2006.


    [1] Conforme Jung (1985) explica, o conceito de Archasius refere-se ao calor vital interno do homem. É o espírito que no homem gera a digestão, assim como nos metais é necessário um forno (chamado pelos alquimistas de Atanar) para purificar os minerais.

    [2] Embora Paracelso tenha desenvolvido estudos astrológicos, alquímicos, dava aulas em alemão ao invés do latim e queimado tratados de importantes médicos consagrados como Avicena, Galeno e Rhazes (JUNG, 1985) não se pode negar que apesar dessa aparente contestação da ordem seu pensamento tenha gerado muitas implicações na filosofia até então metafísica. Paracelso possuía uma concepção binarista entre corpo (sêmen) e alma (potência), por ele designadas ens seminis e ens virtutis (PARACELSO, 1983). Faço questão de apontar esse fato, pois é exatamente sobre esse binarismo que a filosofia do século XVI e XVII irão se reclinar, a partir de Descartes e culminando com Spinoza, este último com uma forte tradição judaica como pano de fundo de um sistema filosófico inovador e altamente cético.

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    Estevan de Negreiros Ketzer é psicólogo clínico (PUCRS), com mestrado e doutorado em Literatura (PUCRS). Realizou pesquisa nos arquivos do IMEC, na França, em 2015. Assessorou a Uniritter na implementação do curso de Escrita Criativa em 2016. É pesquisador do Núcleo de Estudos Judaicos (NEJ) da UFMG e pós-doutorando em Literatura (UFMG).

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