
A sensação de indiferença aos detalhes basilares da educação também é digna de nota. Se é indiferente diante a real necessidade de comunicar na língua das pessoas comuns que buscam uma educação adequada.
Estevan de Negreiros Ketzer
Psicólogo Clínico (PUCRS). Doutor em Letras (PUCRS). Pós-doutorando pelo Labô – Laboratório de Política, Comportamento e Mídia / Fundação São Paulo/PUCSP.
Quando observamos alguns dos motivos do declínio da cultura ocidental não é possível isolar um fator ou um conjunto deles. Os movimentos culturais são muito profundos na vida humana, mais do que imaginamos em um primeiro momento. Eles se infiltram como hábitos diários, tal como os motivos que nos fazem gostar de uma música em detrimento de outra ou porque há os que rezam e os que não rezam. Quais investimentos nossa cultura hoje valoriza para que possa ainda ser de grande importância mantermos certos hábitos ou ressignificar eles em nós? Essas perguntas podem nos ajudar a investigar melhor nossa personalidade quando diante a desagregação da sociedade ocidental.
Em minha tese de doutorado, publicada parcialmente em meu livro O Silêncio da Poesia (KETZER, 2024), houve um ínterim de questões muito complexas às quais eu me detive, inquietantes como as questões a envolverem nosso tempo. Uma delas eu me atrevo a observar com atenção:
O que fica de todo o nosso sofrimento?
Eu inquieto em minhas tentativas de entender a poesia de Paul Celan, me vi obrigado a debruçar-me na língua francesa, no hebraico e no alemão, em busca de compreender como o silêncio afeta a comunicação humana mais íntima e pessoal. Quando se sofre não se pode deixar de lado o que sofre em nós, como esse elemento por vezes parece estar em um labirinto e perdido. A perdição das coisas é algo um tanto assustador. Como aprendemos a viver de um jeito em que nossos próprios sentimentos podem ser arremessados e ficamos como observadores de relações humanas que não sabemos lidar? Por que nos acostumamos a sofrer e permanecemos assim às vezes a vida inteira? Eu digo isso porque uma das coisas que mais me desafiou foi justamente me ver como alguém pensante, mas ver os detalhes das limitações do meu pensamento quando eu deveria aprender a sentir ao invés de me limitar a pensar. Muito mais grave é imaginar que uma parte do que eu pensava seria algo de uma moda acadêmica ao invés de uma profunda reflexão sobre a realidade. Daí eu começar a estranhar um pouco o meu papel na sociedade e, especificamente, dentro do nicho os intelectuais. Logo, eu me vi a pensar sobre outra questão além do que movia meu sofrimento:
O que realmente é importante para ser pensado na escala de prioridades da vida?
Se eu não desse conta do meu sofrimento, poderia eu dar conta dos problemas banais da vida? Se as pessoas não lidam com suas vidas direito, então como elas aprendem a fazerem o que sempre fazem? Será que elas sentem tanto desconforto assim… Elas se habituaram a sentir desconforto e não perceberam isso? Eu comecei a ver que muito do que era o meu desconforto, já que as demonstrações de afeto genuíno deveriam conversar com meus pensamentos e formarem uma unidade a qual representava (mimesis) a minha própria pessoa. Esse pequeno lugar que eu poderia ser eu mesmo, sem me trair, foi também uma das grandes conquistas do meu trabalho. Por isso após terminar o trabalho de doutorado deixei por sete anos a tese amadurecer. Isso serviu para enriquecer a perspectiva do que estava realizando na época e obtive um resultado muito bom.
O que talvez seja digno de nota é como observei o trabalho ao longo dos anos. Não me refiro mais ao poeta Paul Celan, o qual é a base do estudo, mas agora ao legado de Jacques Derrida, filósofo argelino-francês, cujo escopo de seus pensamentos participaram muito do meu livro. A ênfase em Derrida foi muito forte por ser um autor que estava disposto a basear seus estudos dentro de uma ideia muito utilizada hoje em dia na maior parte da Academia, tanto europeia quanto estadunidense. O trabalho da dita “desconstrução” se tornou uma moda com acadêmica derivada da crítica ao estruturalismo francês como vemos no trabalho de Claude Lévi-Strauss.
Entretanto, não é apenas como uma crítica à desconstrução que o trabalho de Jacques Derrida é tão lido. Ele corrobora toda uma perspectiva já muito presente nas universidades da atualidade: teorização excessiva; dificuldade de compreensão do que se está a ler; excesso de terminologia especializada sem explicação; escolha de cânones de leitura em detrimento de autores que ainda são muito importantes, porém, desprezados; ideologias acima da qualidade argumentativa. Esse último argumento é digno de um aprofundamento em minha exposição.
Curiosamente, não temos mais um ensino em que as questões realmente possam ser colocadas em evidência. Os professores de teoria literária, por exemplo, costumam pegar procedimentos marxistas rígidos, como se estivessem no mesmo contexto da guerra-fria, e aplica-lo descontextualizado do tempo e do espaço em que estão. A crítica ao “capitalismo” que estamos a escutar a escutar, como se o capitalismo fosse o mesmo e da mesma forma desde o nascimento da modernidade. Não apenas isso, mas uma infiltração de ideias marxistas em campos culturais, os quais começam então a ser “julgados” sem a reflexão devida. Esse anacronismo histórico, próprio de ambientes daninhos ao conhecimento, começa a se tornar cada vez mais corriqueiro nas salas de aulas das universidades. Os professores indicam autores que são absolutamente encantadores pelas suas soluções mágicas que apresentam ao mundo. Contudo, essas soluções não passam de panfletagem, as quais soam como hipocrisia quando observamos mais elementos de sua vida e de sua forma de transmitir o conhecimento:
“Ele fala do que não faz”.
As afirmações começam a ficar cada vez mais evidentes de uma necessidade de adentramento às leituras a ponto de inverterem o nosso entendimento. Esse foi o caso do livro Gramatologia de Jacques Derrida. É importante ler o autor não somente no que ele escreve, mas fazer um esbatimento do tempo entre o que ele disse em seu contexto e um novo contexto que se apresenta quando vamos lê-lo. Esta é uma forma inteligente de atualizar a importância do autor. Esta afirmação é um bom exemplo de uma escolha difícil, pois exige sair do foco inicial de leitura, isto é, dos conceitos básicos que envolvem o autor em uma primeira abordagem, para dar a ele um novo fôlego. Parece aí também estar um pouco do mistério da influência de Harold Bloom (2002) e como certos nomes chegam até nós em detrimento de outros. E quando me refiro a mistério apenas exponho o caminho trilhado por certas ideias para se consolidarem ao estatuto de verdade, sem que percebamos com clareza o que está acontecendo com a realidade.
Mais do que estas análises inusitadas, Derrida vai ao encontro de parece ser uma abertura em todo o aparato das ciências humanas dentro da rígida Academia Francesa. Seu pensamento converge para o surgimento de uma incipiente proposta desconstrucionista de todo o conhecimento. Basicamente, parte pela crítica a todo o lugar de estabilidade do conhecimento. Para quem lê inicialmente, verá nele um emaranhado de ideias atribuladas, utilizando as leituras de autores como Lacan, Foucault, Deleuze, Roland Barthes, Lyotard, o centro da Academia Francesa, como grande crítica ao estruturalismo de Claude Lévi-Strauss. Tal crítica foi reconhecida incialmente nos EUA com dita “invasão francesa” de 1966, na John Hopkins University, em Baltimore (MACKSEY, 1972). Mais do que um efeito da crise das narrativas que guiaram a sociedade ocidental, os pensadores franceses lideraram o descentramento institucional ao trazerem as leituras marxistas para dentro das universidades, servindo de fresco alimento, tanto político como cultural à academia americana dominada pelo positivismo e pelo new criticism literário, um método de leitura que ia muito além das intenções do autor, tal como vemos na análise do poema The Waste Land, de T.S. Eliot (2015). Não podemos deixar a influência de Julia Kristeva ao trazer a intertextualidade presente no formalismo russo de Mikhail Bakhtin (1981), por dar vida a sua interpretação da obra de Dostoievski a partir da ideia de polifonia, um conceito muito presente na sociedade russa em diversos aspectos de sua cultura, porém, interpretado de forma reduzida pelo mundo ocidental.
Com a moda do falar difícil vinda do estilo francês a Academia francesa abandona por completo as grandes narrativas em uma desmontagem a qual restringe o acesso das pessoas mais comuns ou com conhecimentos ordinários. O conhecimento se torna mais um discurso impressionante pela complexidade de citações, o que nos leva a jogos de linguagem e experimentos já tentados nas primeiras décadas do século XX com Ezra Pound (2015) e James Joyce (2012). A linguagem é inesgotável, portanto, pode-se relativizá-la facilmente, dizer em um contexto ficcional algo que atinja os anseios sociais do momento presente. Para a desconstrução, as ideias são apenas diferenças entre os signos as quais levam a uma confusão a qual tanto pode ser entendida para uma concepção “favorável”, quanto “desfavorável”, incluindo a própria crítica a esta ideia. A maioria da produção literária e crítica do século XX é uma crítica as grandes narrativas, observando seus malefícios. O que é curioso é vermos a grande crítica anarquista francesa da década de 60 e 70 do século XX ser uma reação a escolástica conservadora medieval… utilizando-se dos mesmos conceitos, mas revestindo-os com um caráter revolucionário iminente. Inclusive a própria forma de ironizar seu tempo tal como as leituras que Jacques Lacan tomou de Sigmund Freud, Derrida tomou também da escolástica medieval, ao olhar a iluminura de Matthew Paris com atenção sobre como a leitura de Platão interferia na forma de interpretação do Sócrates histórico.

Fig. 01 – Platão e Sócrates (1259), de Matthew Paris, Oxford’s Bodleian Library, MS Ashmole 304, f. 31v
A sensação de indiferença aos detalhes basilares da educação também é digna de nota. Se é indiferente diante a real necessidade de comunicar na língua das pessoas comuns que buscam uma educação adequada, sem ideologia marxista disfarçada de hermenêutica do estilo heideggeriano. O interessante acerca da facilidade em como a Academia acatou tão rapidamente um discurso meramente ilustrativo, exercício da habilidade de quem mais dialetiza do que se coloca em uma postura humilde junto a atividade de ensino. Eu mesmo tive a presença de professores que se negavam a ensinar, pois gostavam de dar palestras e assim o faziam envolvidos em uma atmosfera mística exagerada.
Segundo Derrida (2004, p. 194): “Não há fora-de-texto”. Isso significa algo muito importante para toda a forma de lermos ao longo do século XX. A linguagem se torna assim a medida de todas as coisas. Mas qual tipo de linguagem? Uma linguagem que se torna o que não podemos mais dizer, somente a diferença do que dizemos, uma palavra, de tudo aquilo que não é ela mesma. Essa absurdidade tem sido celebrada nas universidades de maneira elegante e cada vez mais embrutecida. Os alunos com pouco vocabulário, pouca experiência de vida, em sua grande maioria bolsistas em faculdade e universidades, não percebem nessa frase um grave problema que liga todo o ideal do século XX a história da modernidade desde a tradução da Bíblia de Lutero para o alemão.
A concepção europeia de desenvolvimento humano e espiritual sofre um dos seus maiores abalos com a vinda da Reforma por Martin Luther, na Alemanha, a partir de 1517. Com a Reforma religiosa, nós encontramos uma nova forma de leitura da Bíblia, a qual levou a uma crítica à Igreja Católica pela venda de indulgências e pela versão da Bíblia em alemão, de 1534 (Fig. 2). Lutero acreditava que a Bíblia em alemão seria uma forma dar acesso a que o crente se tornasse o próprio sacerdote, adotando o lema da Sola Scriptura como um dos alicerces da reforma protestante. Ele traduz a Bíblia mantendo os 22 livros contidos na tanach judaica, contrariando a inclusão dos livros deuterocanônicos (Tobias, Judite, Baruque, Carta de Jeremias, Sirácida [Eclesiástico], Macabeus e Sabedoria). Lutero não queria apenas dar acesso aos cristãos, como queria atrair os judeus à sua nova versão do cristianismo.

Fig. 2 – A Bíblia de Lutero (1534)
Muito mais assustador foi a ruptura com uma noção espiritual que a Igreja contém dentro de si. A tradução poderia fazer facilmente se perder a maneira da Igreja não em lidar com o texto, mas em como lidar com a fé. A fé é algo que se trabalho não apenas no texto, mas em uma tradição oral. Os costumes e em como nós lidamos com eles são a base do que a nossa civilização ocidental entende ou não entende de si mesma, não podendo ser reduzida a atividade de leitura sem o cuidado de como isso é transmitido junto à tradição oral. Isso exige um nível de educação muito mais rebuscado, exige uma dedicação plena ao caráter educacional e não apenas um repertório de ensino ou um currículo técnico o suficiente para apenas repetir o que está ali contido naqueles escritos. O professor que for transmitir o conhecimento não apenas transmitir sua experiência de leitura ou de intertextualidade com outras leituras. Ele precisa de uma experiência viva, algo que seja transmitido após o próprio professor ser desafiado a ensinar tendo como aliado à sua própria tradição. O mero questionamento, por crítica dialética do que é ensinado, por mais sofisticado que parece à primeira vista, pode passar por cima dos problemas fundamentais das referências fundamentais contidas na realidade. E nesse ponto começam as incompreensões de leituras. Cada um começa a ler com a sua “subjetividade”, o que não é um problema se estamos aprendendo a ler, mas certamente a reunião de subjetividades leitoras pode levar o texto rapidamente a ser esse emaranhado sem a devida pontuação de um professor adequado, o qual trará a “objetividade” do texto.
E como se não bastasse, Derrida passa com indiferença tanto acerca de Martin Heidegger, e sua identificação com o nazismo, quanto a Paul de Man, seu mais célebre representante na Universidade de Yale, o qual teve relações com a imprensa nazista[1]. Antes de fazermos aqui qualquer tipo de julgamento, os quais mostram a precariedade tanto de nossa mentalidade moderna acerca de crimes que hoje tem se tornado tão banais, quanto mesmo de uma despersonalização da pessoa envolvida, o caso é tenso e envolto em uma polêmica desgastante. Contudo, Jacques Derrida defende Paul de Man de forma veemente:
Por que fingem não enxergar que a desconstrução é tudo menos um niilismo ou um ceticismo, como continuam a dizer com frequência apesar de tantos textos demonstrarem o contrário de forma explícita, tematicamente e há mais de vinte anos? Por que denunciar como irracionalismo tão logo alguém faz uma pergunta sobre a razão, suas formas, sua história, suas mutações? (DERRIDA, 1988, p. 224)
A questão é mais desconcertante para Derrida do que para Paul de Man, pois ele o faz para assumir a desconstrução como de fato o lugar onde toda as impressões sensoriais se acumulam sem terem a noção exata de onde elas estão. Sem dúvida a grande reunião de hermenêuticas da desconstrução com o surrealismo de Artaud, a fenomenologia de Husserl e de Heidegger, a psicanálise de Freud e Lacan, a teoria literária do post Reading americano, a linguística de Ferdinand de Saussure geraram um alvoroço daquilo que serviu para o estilo francês tão característico do que se chamou nos anos 1980 de pós-modernidade. Não podemos nos esquecer que Ferdinand de Saussure foi talvez mais apreciado pelos filósofos do que pelos linguistas, pois o significante torna-se uma pegadinha, da qual ninguém consegue alcançar claramente o entendimento da realidade objetiva.
Os jogos de linguagem entram como uma espécie de entretenimento, o qual a função denominativa da linguagem se reduz, impedindo que se possa de fato compreender o que se está dizendo. Os significados (conteúdos) se perdem completamente por jogos significantes (formas). Isso significa que a toda a busca pela realidade se torna relativizada, levando a que as convenções sejam questionadas o tempo todo de modo radical por aqueles que se veem como defensores de uma autoridade filosófica. O pensamento coletivo passa a ser defendido por vitimizações pessoais de cada pessoal. Quais são as reações que as pessoas tem devido aos seus próprios entendimentos sobre o que seja a realidade? Não depende mais de atos, mas a como as pessoas se sentem. As injustiças passam a ser institucionalizadas e isso é consequência do apelo que a desconstrução faz a justiça, o único elemento que para Derrida não poderia ser desconstruído (DERRIDA, 2010).
A precarização da educação leva cada vez mais ao surgimento de uma classe ignorante e iletrada. O fortalecimento dos jogos de linguagem pela classe dos filósofos, unido aos jornalistas e seus interesses pouco claros, cuja torpeza de sua própria leitura de mundo, restringe inclusive o deslocamento em busca do que esteja por trás das coisas e o interesse pela sua ampliação. Nem apenas é restringir a realidade a leitura, mas restringir a realidade a somente semelhanças vagas entre as coisas. Logo, o que vemos nascer com força é a opinião e o conflito das diferentes opiniões, as quais acabam nunca sendo discutidas, pois não podem ser desenvolvidas. Em uma era com pequenas postagens de internet e a proteção que a internet possibilita para núcleos cada vez mais beligerantes, a real troca deixa de existir, assim como as conversas frente a frente, voltadas para a resolução de problemas. A utilização do tapete mágico das teorias acaba sendo uma brilhante maneira de levar a esterilidade de opiniões: a pessoa lê na teoria algo completamente inconsistente com a realidade. Eis a paralaxe de ideias separadas a tal ponto de não permitirem que possam pensar as coisas tais como elas são, mas como simulações das coisas que nunca são elas mesmas.
Muito diferente da sociedade francesa e da sociedade estadunidense, encontramos a sociedade brasileira. No Brasil se começa a educar seres humanos criados com uma baixa escolarização, baixo desempenho escolar, portanto baixa inteligência (FLORES-MENDOZA, 2026). Isso leva a uma incapacidade discriminatória para julgar o domínio da complexidade de elementos que formam a realidade. Estamos diante de um analfabetismo funcional grave ainda que a maioria da população saiba ler e escrever. As classes A e B do Brasil, justamente as elites, tem deixado hábitos de leitura cada vez mais de lado, tal como a perda de 6,7 milhões de desde 2020 até o ano da pesquisa, 2024 (CBL, 2026). A perda da humanidade de incorporar a dimensão científica leva a bestialidade e a ao gosto pelos instintos e sua emulsão sem quaisquer reflexões ou mesmo simbolizações internas profundas.
Esta carência de questionamentos sobre como o mundo real foi tomado por teorias acadêmicas estadunidenses de cunho revolucionário se fez presente neste trabalho. Como nossas experiências empobreceram a ponto de precisarmos de aceitação sobre quem somos com temor a sermos completamente derrubados pelo sólido monolito da realidade. Em que nível as teorias de alta cultura podem eclipsar a coerência de ações justapostas quando nossa mentalidade analítica precisa distinguir o certo do errado para sobrevivermos. Nos adaptamos à massificação de jornalistas desprovidos de inteligência e aceitamos o movimento revolucionário por não compreendermos a complexidade de seu alcance. Reconheço aqui o quanto meu estudo sobre a desconstrução também serviu para questioná-la de modo mais aprofundado. Esse fato para mim é parte da reflexão sobre o mundo em que vivemos e também a esperança de que possamos nos encontrar de uma maneira mais construída do que desconstruída. A inteireza de quem somos deve nos despertar a complexidade que nos envolve de forma a busca da verdade ser o resultado da nossa integridade como seres humanos.
Referências:
BAKHTIN, Mikhail. Problemas da Poética de Dostoievski. Tradução de Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1981.
BLOOM, Harold. A angústia da influência: uma teoria da poesia. Tradução de Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Imago, 2002.
CBL – Câmara Brasileira do Livro. Mais da metade dos brasileiros não lê livros, aponta pesquisa. Site CBL, São Paulo, 22 nov. 2024. Disponível em: https://cbl.org.br/2024/11/mais-da-metade-dos-brasileiros-nao-le-livros-aponta-pesquisa/. Acesso: 28 abr. 2026.
DERRIDA, Jacques. Mémoires pour Paul de Man. Paris : Galilée, 1988.
DERRIDA, Jacques. Gramatologia. Tradução de Miriam Schnaiderman e Renato Janine Ribeiro. São Paulo: Perspectiva, 2004.
DERRIDA, Jacques. Força de Lei. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
ELIOT, T.S. Terra Devastada. Tradução Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
FLORES-MENDOZA, Carmen et al. Considerations about IQ and human capital in Brazil. Temas em Psicologia, Ribeirão Preto, v. 20, n. 1, p. 133-154, jun. 2012. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2012000100011&lng=pt&nrm=iso. Acesso: 27 abr. 2026.
GODZICH, Wlad. The Domestication of Derrida. In: ARAC, Jonathan; GODZICH, Wlad; MARTIN, Wallace. The Yale critics. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1983.
KETZER, Estevan de Negreiros. O Silêncio da Poesia. São Paulo: Dialética, 2024.
MACKSEY, Richard; DONATO, Eugenio (eds.). The Structuralist Controversy: The Languages of Criticism and the Sciences of Man. Baltimore: John Hopkins University Press, 1972.
PEETERS, Benoît. Derrida. Tradução André Telles. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.
[1] Em agosto de 1987, Ortwin de Graef, um estudante de pós-graduação belga da Universidade de Leuven, descobriu cerca de duzentos artigos, incluindo textos antissemitas, que de Man havia escrito durante a Segunda Guerra Mundial para o Le Soir (PEETERS, 2013).
Estevan de Negreiros Ketzer é psicólogo clínico (PUCRS), com mestrado e doutorado em Literatura (PUCRS). Realizou pesquisa nos arquivos do IMEC, na França, em 2015. Assessorou a Uniritter na implementação do curso de Escrita Criativa em 2016. É pesquisador do Núcleo de Estudos Judaicos (NEJ) da UFMG e pós-doutorando em Literatura (UFMG).









