
A linguagem é fundamental para qualquer povo, afinal essa é a uma base fundamental para uma nação, visto que é por muitas vezes, através dela que uma nação possui um senso de união, uma noção realmente patriótica.
Arthur Weba
Observa-se, por exemplo, que na Sagrada Escritura (Gn. II, 19-20)1 é mostrado que o ato de nomear é próprio do ser-humano, o realmente o é, afinal qual outro ser que não o homem nomearia um ente e daria significado a tudo aquilo que ele medita?
Nesse contexto, vê-se também que a linguagem é fundamental para transmitir a tradição de um povo, a sua cultura. Quando analisa-se a etimologia dessas duas palavras, tradição e cultura podemos ter alguma noção do que elas verdadeiramente tratam. Tradição — do latim traditio— significa transmitir, entregar, o que nos mostra que entrar nessas águas mais profundas é buscar aquilo de bom que os nossos antepassados quiseram nos nos deixar por herança. Já a cultura — colere, também do latim — vêm a significar o cultivo, isto é, dizer que devemos cultivar aquilo que nos é transmitido, e não somente para nós mesmos, mas também compartilhá-la com as vindouras gerações.
Outra observação que podemos ter é sobre, a saber: a dificuldade. O leitor pode estranhar tal apontamento, todavia fica óbvio quando temos a imagem de um camponês que irá cultivar sua plantação, não é uma tarefa fácil, pois ele terá que achar um terreno fértil, regar, esperar o tempo certo e, se todas as condições forem favoráveis ele pode consumir o que ele esperava; da mesma maneira é formação intelectual humana, o aspirante empreende tempo e esforço, dentre outras coisas, para beneficiar-se com o que tanto se empenhou, como dizia aquela grande santa espanhola: «é justo que muito custe aquilo que muito vale».
Com isso, vemos que houve uma necessidade em deixar guardados, através da escrita, as histórias e as estórias, os mitos. e não podemos esquecer da poesia, literatura, dentre outros. E tudo isso guardado pela escrita foi para ser transmitido e cultivado. Ora, como seria o homem se nada soubesse e estivesse sempre refém de sua memória? Bom, o fato é que o mundo é melhor tendo pessoas como Homero, Virgílio2, Dante, Camões, esses homens trouxeram obras-primas, são cânones para toda a humanidade. E cabe a nós a missão de aprender com eles, de cultivar as virtudes dos seus diversos personagens, como um Ulisses que tivera uma grande odisseia para voltar para sua família, por exemplo.
Entretanto, há um empecilho para adquirirmos esses conhecimentos que são indispensáveis para a humanidade, como a falta do cultivo dessa grande herança que nós temos por direito. E dentre todos os grandes fatores que ocasionam isso, há um que se destaca dentro da realidade brasileira, a saber: o desprezo pela própria cultura. As escolas, colégios, e universidades, deveriam ser verdadeiras guardiães da educação, entretanto, são as maiores destruidoras da alta cultura. Utilizam-se de termos dignos das obras de Orwell, prometendo aprendizados fáceis e uma chamada inclusão, que porventura inclui a todos, com exceção da verdadeira educação. Isso fica ainda mais claro quando podemos o tanto de pessoas iletradas que saem aqueles papéis timbrados das faculdades, os chamados diplomas, que movem os alunos, os quais são incapazes de interpretarem corretamente notícias jornalísticas, tampouco as obras literárias que formaram o país. Com isso, sem possuírem esse conhecimento basilar, inevitavelmente, acabam por ter uma péssima formação superior, e se tornam apenas mais alguns dos iniciados no estamento burocrático brasileiro.
A grande massa é refém de colégios que não mais formam, só informam, e essa falsa ideia de educação é nociva e e já está enraizada na cosmovisão moderna. No Medievo, as artes liberais, compostas pelo Trivium (gramática, retórica e lógica) e o Quadrivium (aritmética, geometria, astrologia e música) , eram os umbrais para o as as chamadas Artes Superiores, que na época eram a Teologia, o Direito Canônico e a Medicina, como explica o professor Carlos Nougué em seu opúsculo «Das Artes Liberais: a necessária revisão». Os Estudo Clássico, ao contrário da educação moderna que aprisiona, nos liberta das correntes da nossa própria ignorância e dos grilhões das ideologias para adquirirmos o verdadeiro conhecimento. O que demonstra que esses conhecimentos são fundamentais para conhecermos a história de nossa própria civilização, sua cosmovisão, ritos e etc.
Quando nós brasileiros desconhecemos nossa história e nossa cultura acabamos por nos marginalizar do que de fato é ser brasileiro, pois se o povo não possui a capacidade de entender o imaginário de seu próprio país está fadado a corroer-se e a corromper-se. Um dos sintomas mais claros desse fenômeno é o consumo do produto das culturas de massas, o que só tende a prejudicar-nos de tal maneira que ficamos doentes. Doentes? Sim, pois esse é o homem que desiste de ser homem, ele passa a consumir o lixo produzido por uma agenda que só quer utilizá-lo para ser mais um de seus escravos.
São esses uns dos grandes motivos para que nós seres-humanos, seres-humanos de verdade, não nos preocupemos em temer as IAs, pois uma maquina nunca substituirá qualquer um de nós. Elas podem substituir pessoas que desistiram, ou não aprenderam a ser humanas, afinal quem pode substituir o colo de uma mãe? uma verdadeira amizade? o amor de nossas vidas? Quem substituiria alguém que transforma em poesia heroica a prosa de cada dia, como diria um grande sacerdote espanhol? O homem que sempre busca ser mais homem jamais será trocado por uma máquina.
Uma das formas de sermos mais humanos é consumindo o melhor de nossa cultura. «Aproveitemos, vivos, o valor dos mortos. A verdade é sempre nova. Como a erva da manhã que um delicado orvalho recobre, todas as verdades antigas têm o desejo de reflorescer. Deus não envelhece. Devemos ajudar esse Deus a renovar, não os passados sepultados e as crônicas extintas, mas a face da terra», assim disse Sertillanges. E essa é a forma de deixar a chama da tradição acessa, aprendendo com quem veio antes de nós. Isso não é somente uma forma de ser mais erudito, mas também de ser uma pessoa obediente à verdade. Por isso, é necessário que nós precisamos ter o senso patriótico de conhecer o que de fato é ser brasileiro.
São Luís- MA, Brasil;
12- I – 2026
in oboedientia veritatis,
Arthur Weba
1.Conforme o texto da Vulgata: Formatis igitur Dominus Deus de humo cunctis animantibus terrae, et universis volatilibus caeli, adduxit ea ad Adam, ut videret quid vocaret ea: omne enim, quod vocavit Adam animam viventem, ipsum est nomen eius. Appellavitque Adam nominibus suis cuncta animantia, et universa volatilia caeli, et omnes bestias agri: Adae vero non invenit adiutorem similem sui.
Conforme a tradução do Pe. Matos Soares: Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais terrestres, e todas as aves do céu, levou-os diante de Adão, para este ver como os havia de chamar: e todo o nome que Adão pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome. E Adão pôs nomes convenientes a todos os animais (domésticos), a todas as aves do céu, e a todos os animais selváticos: mas não se achava para Adão um adjutório semelhante a ele.
2. Segundo o latinista prof. Frederico Lourenço, em sua Nova Gramática Latina, afima que Vergílio é a tradução do nome maia adequada do poéta latino.









